DEVEMOS NOS ORGULHAR SE SERMOS... ORGULHOSOS?


O que é orgulho?

Numa língua tão rica como a nossa, essa palavra possui diversos significados e, ainda assim, é muitas vezes mal utilizada. Muitas pessoas me acusaram de ser orgulhoso. Minha mãe, irmãos, esposa, filhos e conhecidos. Em qual sentido?

Eu frequentemente recuso ajuda. Porque sou orgulhoso, dizem. Já não sou assim. Um pouco, talvez, mas isso não pode ser chamado de orgulho.

No filme "Seven", com Morgan Freeman e Brad Pit, que fala sobre os sete pecados capitais, traduziram o pecado de vaidade da palavra inglesa "pride", que significa orgulho, assim, o pecado de vaidade não se refere aos cuidados com a aparência, mas com os caprichos do coração.

Os caprichos do coração.

"Vaidade de vaidades - diz o pregador - Vaidade de vaidades, tudo é vaidade."
Eclesiastes 1:2

Eu, recentemente, terminei um trabalho que ainda não foi apresentado, mas o resultado agradou a muita gente. Seria injusto da minha parte negar que outras pessoas contribuíram na melhoria, acrescentando detalhes que fizeram a diferença. Mas o entusiasmo e a alegria de ter realizado algo que, segundo meus parceiros, ficou muito bom, me deixaram orgulhoso. Orgulhoso por ter conseguido. Por ter realizado algo bom. Mas o envolvimento com esse trabalho teve seu preço. Um desentendimento com um membro do grupo.

Esse desentendimento revelou facetas das nossas personalidades que entraram em conflito. De um lado, o meu orgulho, do outro, a vaidade do outro membro. A intimidade entre duas pessoas tira o foco, e saber quem estava mais ou quem estava menos errado acabou tomando uma dimensão enorme, que poderia ter sido evitado por um simples pedido de desculpas.

Saber quando e onde ceder é tanto uma questão de humildade quanto de sabedoria, pois a decisão errada pode suscitar um um duelo de titãs, um duelo entre o amor e o orgulho, onde o resultado final será a dor e a perda.

Mas nós criamos tantos "se".

Nós dizemos a nós mesmos a que duvidamos das verdadeiras intenções, não importando o quanto essa amizade pode ser importante para ambos, e insistimos por temer que, se baixarmos a guarda e recuar, possamos estar apenas fazendo papel de idiota, e então sacrificamos uma amizade em favor do orgulho.

As pessoas usam as palavras de maneira tão levianas. Palavras fluem das bocas, cheias de promessas falsas, como falsas são as juras de amor dos filmes da sessão da tarde.

"Eu te amo", " pode contar comigo", "é nóis", "tamo junto". Estes são termos que sugerem amor, amizade, lealdade, mas quando postas à prova, revelam o quanto podem ser vazias.

Pessoas que considero amigas, e que me ajudaram muito em momentos difíceis, fizeram coisas que me entristeceram ou deixaram com raiva, mas que, apesar disso, eu realmente podia chama-las de amigas. Pessoas que eu amo. Então eu perdoei, assim como eu sei que elas me perdoaram por decepções que certamente causei. Ninguém é perfeito, e amigos sabem disso.

Alguns podem pensar que, por se tratar dos próprios filhos, perdoar é mais fácil.
Ledo engano.

Quanto maior a proximidade, quanto maior a intimidade, quanto maior a expectativa, maior é a decepção.

Os filhos são parte de nós mesmos. Esse vínculo é poderosíssimo. Impossível nega-lo, e dificílimo de sobrepuja-lo.

É uma  ligação natural e poderosa.

Mas de onde surge o vínculo entre dois estranhos? E como mante-lo?
Isso poderia dar um livro, mas uma resposta simples pode ser bem eficiente.
Se tem uma pessoa com a qual pode contar a qualquer hora e em qualquer situação, que não vai te deixar na mão quando estiver no sufoco, talvez não tenha se dado conta, mas você tem um amigo.

Valorize-o.

Essa é uma espécie cada vez mais rara.

Por isso, não deixe o orgulho, a vaidade, o capricho do seu coração afastá-lo dos seus verdadeiros amigos.

E lembre-se sempre:
Seu maior inimigo, frequentemente te encara nos olhos enquanto você escova os dentes.

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